26 maio, 2020

O Irlandês (The man who painted houses) - Resenha do livro de Março



Saindo um pouco do tema de revisões e rotinas, vim fazer uma resenha do livro que li em Março, Que foi O Irlandês (The man who painted houses, em inglês), do autor Charles Brandt. Sim, esse foi o livro que inspirou o último filme do Martin Scorsese, que injustamente não ganhou nenhum Oscar.

Em 2020 eu me propus a dois desafios pessoais: ler pelo menos um livro por mês, e ver um filme por semana. Até o momento está indo bem.

Histórias de teorias da conspiração, crimes, máfia e coisas assim sempre me interessaram, e a história dos EUA está cheia dessas coisas. Especialmente quando se trata ali de entre os anos 40 e 60. Em particular, os personagens dos Kennedy e de Marilyn Monroe me fascinam, e ao redor deles giram tantas outras histórias que a parada toda é quase uma mitologia completa.

Uma dessas histórias que rodeiam esses personagens é a do líder sindicalista Jimmy Hoffa, que desapareceu em 1975, nunca foi encontrado, e quem deu o sumiço dele nunca apareceu também. No final de sua vida, o mafioso Frank Sheeran assumiu o assassinato de Jimmy, e é essa história que o livro conta.

Não é necessariamente uma história da qual se dê spoilers, porque é um fato, e como tal, todo mundo meio que sabe o que aconteceu. Mas se você não gosta de saber detalhes antes de contemplar a obra, eu sugiro que pare por aqui.

Frank Sheeran (cujo apelido era Irlandês, pela origem de sua família), que era um veterano de guerra, se envolveu com um grande figurão da máfia, Russel Buffalino, e virou meio que o capanga da galera. "O homem que pintava casas" era uma metáfora pra assassino de aluguel (imagina aí), e por sua competência e lealdade, escalou na carreira e virou o braço direito da turma do Buffalino.

Nesse meio do caminho ele foi apresentado ao Jimmy Hoffa, que era tipo o Lula da galera o líder do sindicato dos caminhoneiros e um populista de mão cheia. As referências dizem que nos anos 60, Jimmy era o segundo homem mais popular dos EUA, atrás apenas do JFK.

A propósito, Hoffa detestava os Kennedy, pela perseguição que Bobby perpetrou enquanto procurador-geral dos EUA. A acusação era a de que Hoffa era envolvido com a máfia em esquemas de lavagem de dinheiro, que teria financiado a construção de uma série de cassinos nos EUA e em Cuba. Eles se odiavam (aliás, quem se dava bem com Bobby?).

Sheeran e Hoffa se tornaram muy amigos, e a confiança do sindicalista no Irlandês chegava a ser cega, pelo que as histórias dão a entender. Acontece que Hoffa certo dia foi parar na cadeia, e ao sair, a obsessão dele por retornar à liderança do sindicato começou a atrapalhar os negócios da máfia. E pra máfia, quem incomodava tinha que aprender a ficar na sua, por bem ou por mal.

Veio então a ordem pra exterminar Jimmy, e a tarefa precisava ser executada por alguém de sua extrema confiança: o escolhido foi o Irlandês. Ficou relutante e triste pela tarefa, segundo o livro, mas sua lealdade a Russel e seus compadres da máfia era maior que a amizade com Hoffa. Este teria sido morto numa emboscada, e seu corpo teria sido incinerado.

O livro é bem escrito e a leitura é bem fácil e envolvente - a história alterna aspas de Sheeran e explicações do autor. A narrativa, pra quem curte essa temática, faz a gente viajar pelos tempos em que a máfia reinava nos EUA (será que ela deixou de reinar?). A história toca em muitos pontos de outras histórias, como a morte de JFK, e um suposto envolvimento dos Kennedy na morte de Marilyn Monroe. Vale dizer que o filme é super fiel ao livro, dados os detalhes que precisam ficar de fora, pra caber na adaptação - e olha que o filme já ficou com mais de 3h!

Real oficial, há quem conteste a autoria de Sheeran pelo crime. Algumas evidências não batem, e no final das contas, fora a confissão do Irlandês, não há provas suficientes que o incriminem. Assim mesmo, o autor acredita veementemente que Frank foi o responsável.

Afinal, se você se liga em história e teorias conspiratórias ou se pelo menos gosta de uma historinha bem contada, eu recomendo muito a leitura. Tem versão impressa e pro Kindle aqui, e se você comprar por esse link, eu recebo uma pequena comissão, o que é muito útil pra mim, e eu agradeço enormemente, se você puder fazê-lo!

Até a próxima resenha de livro!

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